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sábado, 7 de julho de 2012

Mais vale a voar... que na mão



Resposta ao desafio nº 10 do blogue http://77palavras.blogspot.pt/ de Margarida Fonseca Santos.

«Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar», diz a voz metafórica do povo. Mas a ganância do Luís leva o dito à letra, tentando capturar o máximo possível de aves, sobretudo aquelas cujo canto as torna preciosas.
O Francisco, rapazinho de sentimentos, é que não está pelos ajustes e sabota as armações do outro. A cada avezita que consegue livrar, diz:
- Um, dois: mais vale a voar, pássaro, que na mão do passarinheiro.

Parafraseando La Fontaine em 77 palavras


Resposta ao desafio nº 9 do blogue Histórias em 77 palavras, de Margarida Fonseca Santos.

[A corrida da lagarta e da formiga]


Está a lagarta sossegada a comer. Diz-lhe a formiga:
- És tão indolente. Aceitas correr a maratona contra mim?
A lagarta pensa:
- Esta é mesmo tonta, não conhece o segredo das lagartas.
Responde:
- Só se a corrida demorar sete dias e sete noites.
A formiga desata a correr.
A lagarta metamorfoseia-se. Ao sétimo dia, as asas estão prontas. Levanta voo, passa sobre a esfalfada formiga e corta a meta.
Despeitada, a formiga morre de apoplexia.

Uma breve história de amor (em 77 palavras)

«At last» - Lauri Blank
Resposta ao desafio nº 8 do blogue Histórias em 77 palavras, de Margarida Fonseca Santos.

Retornam os pássaros aos ramos do plátano. Passos apressados ressoam nas pedras da calçada. O ladrar remoto dos cães ecoa por entre as casas. A oeste, o sol despede-se do mar.
Mas eles nem dão pelo passar do tempo. Soltaram as rédeas do coração e perderam-se no caos das emoções. Sentem apenas o tremor dos corpos, o alento do ar nos colos, a presença. Recordam a doce promessa da canção: sem rota nem mapa, o amor acontece.

Rimance das sete meninas diferentes (em 77 palavras)


Resposta ao desafio nº 7 do blogue Histórias em 77 palavras, de Margarida Fonseca Santos.

Havia sete meninas
Comendo sete romãs,
Todas sete tão diferentes,
Mas todas elas irmãs.
Uma loira, outra morena,
Outra da cor do limão,
Uma da cor da castanha,
Outra negra de carvão,
Uma rubra como o sol,
Outra parda como a lua,
Todas sete de mãos dadas,
Cantando as sete na rua:
- O que importa a cor da pele
Se é o amor que nos sustem?
Sendo as sete tão diferentes,
Nós sete nos queremos bem.

Um baile clandestino em 77 palavras

«A dança», de Paula Rego
Resposta ao desafio nº 6 do blogue «77 palavras», de Margarida Fonseca Santos. 

De dia, viam-se pouco, resguardando-se dos olhares indiscretos. Mas mal o crepúsculo descia a cortina, abandonavam o recato das mansardas. Acendiam fogareiros e abriam pipas. As mãos se davam a outras mãos enternecidas. Ouvia-se o acordeão e o pandeiro e rompia o canto nas gargantas emudecidas. Pés febris matraqueavam a calçada e a festa tomava conta da rua, noite dentro… até chegar a madrugada. Quase pobres, pouco tinham de seu, mas… eram ricos de alegria. Quem diria...!

Brota a murta ao pé da porta

(Nascente do rio Lis, Fontes, Leiria)

Resposta ao desafio nº 5 do blogue «77 palavras», de Margarida Fonseca Santos. A frase do mote foi extraída do travalínguas «Esta burra torta…»

Brota a murta ao pé da porta

Brota a água da nascente do rio, depois da chuva.
A torrente arrasta o musgo das pedras, o acanto, a
murta e as azedas que despontam ao longo das margens.
Ao seu ímpeto avassalador nada escapa. Ouve-se, mesmo aqui ao
, o rugido da grota, dando novo sentido ao fluxo
da saraivada. Como se a montanha abrisse a sua íntima
porta e dela se esvaísse toda a dor do mundo.

Um bule rachado em 77 palavras

Fotomontagem de Carlos A. Silva
 A escritora Margarida Fonseca Santos lançou no seu blogue «histórias em 77 palavras» uma proposta: que os interessados escrevam as suas próprias histórias, com 77 palavras, obedecendo às regras que vai sugerindo, e as enviem para ela.
Quando descobri e decidi aceitar, já ia no desafio nº 4. Dei o meu contributo, a partir das palavras «Sou um bule rachado, sou...». Aqui está o resultado:

Sou um bule rachado, sou… testemunha do esplendor de uma nobre e distinta casa. Trago comigo as memórias das inúmeras «soirées» em que servi as mais refinadas infusões, as mais delicadas tisanas. À minha volta, reuniram-se os mais elegantes penteados, as mais requintadas «toilettes»…
Mas não pensem que deploro a minha actual condição, consequência do descuido de uma mão desastrada…
Nunca fui tão feliz como agora: albergo no ventre o amor perfumado de um pé de sardinheira.