quinta-feira, 26 de março de 2020

A falta de paciência do jogo das paciências (7)


Após a sua higiene matinal, o homem foi até à cozinha, preparar o pequeno almoço. Fez café fresco, torradas e ovos mexidos. Dirigiu-se à sala com a comida num tabuleiro e, depois de arrumar as cartas, pôs a mesa para duas pessoas. No lugar em frente ao seu, colocou um espelho, que tirou de cima do aparador do hall de entrada. Sentou-se e fez retinir uma chávena, percutindo-a com uma colher, enquanto gritava:
- Jóquer, o pequeno-almoço está pronto!
Num instante, a imagem do jóquer apareceu no espelho.
- Olá, olá! - Disse o jóquer com uma vénia. - Que bom aspecto. Para quem é tanta comida?
- Para nós dois. Normalmente, não faço tanto, mas como somos dois dupliquei a dose - justificou o homem.
- Não era preciso - riu-se o jóquer. - Quando pões a mesa em frente ao espelho, fico automaticamente servido deste lado.

quarta-feira, 25 de março de 2020

A falta de paciência do jogo das paciências (6)


Na manhã seguinte, o homem acordou muito bem disposto. Bocejou, espreguiçou-se e pousou, com lentidão, um pé de cada vez no tapete do quarto. Depois, correu a persiana e entreabriu a janela, deixando entrar o ar matinal. Por um momento, ficou-se a olhar lá para fora, embevecido pelo chilreio dos pássaros, nas árvores da rua vazia.
Dirigiu-se então à sala. As cartas de jogar continuavam em cima da mesa. O jóquer estava encostado à pilha, como um retrato na sua moldura, a boca num esgar de riso e os olhos trocistas a vigiar quem entrava.
- Bom dia! - disse o homem.
Mas não obteve resposta. Repetiu a saudação e apenas o silêncio o secundou. A confusão voltou a toldar-lhe o entendimento. Então, tudo o que se lembrava de ter acontecido na noite anterior era mentira?
Em cima da mesa da sala estava apenas um banal baralho de cartas, mudo e quedo como todos os baralhos de cartas normais. Que raio, tinha a sensação de ter sido tudo tão real... Era capaz de jurar que sim... Afinal, fora um delírio.

terça-feira, 24 de março de 2020

A falta de paciência do jogo das paciências (5)


O homem estava cada vez mais irritado com a desfaçatez do jóquer.
- Mau, mau, Maria! Deixa-te de tentar ser engraçadinho - zangou-se o homem. - E vamos clarificar as coisas. Tanto quanto percebi, nenhum dos problemas que enumeraste é de agora. Os naipes vão ter de lidar com eles até ao fim dos tempos. Por isso, acaba com os rodeios e explica-me donde vem toda esta impaciência.
- Mas tu ainda não percebeste? - riu-se o jóquer.
- Não percebi o quê? Donde vem a impaciência das cartas de jogar? Como havia de perceber se tu ainda não me explicaste?
- Bem... - disse o jóquer com um suspiro. - Vou ter de te dizer. A impaciência vem... de ti.
- De mim? - espantou-se o homem - Ora essa...

A falta de paciência do jogo das paciências (4)


O homem suspirou de alívio. Pelo menos aquele não estava mal disposto como os anteriores. Decidiu averiguar a situação, perguntando:
- Ouve lá, ó jóquer, o que é que se passa com o resto das cartas? Estão todas zangadas e sem paciência, como o valete de paus e a rainha de copas?
- Parece que sim - respondeu o jóquer. - Embora aqueles dois sejam os piores. O valete de paus, porque na família dele resolvem tudo à paulada e a rainha de copas porque, desde que conheceu uma tal Alice, gosta de gritar a toda a gente «cortem-lhe a cabeça, cortem-lhe a cabeça...». Tiveste azar com estes, mas vais ouvir muitas inconveniências dos restantes se te decidires a continuar o jogo.
- Mas qual é a razão para tanto mau humor? - retornou o homem.

A falta de paciência do jogo das paciências (3)


O homem ficou largo tempo a olhar a rua deserta e mal iluminada, dado que um dos candeeiros de iluminação pública tinha a lâmpada fundida. «Devo ter também a lâmpada fundida», pensou ele. E depois riu-se nervosamente com a ideia. Respirou fundo e decidiu olhar o problema de frente. Se as cartas estavam vivas, e parecia que estavam, não podiam mandar nele daquela maneira. Afinal, eram apenas uns pedaços de cartolina dentro de uma caixa também de cartolina. Tinha sido ele que as tinha comprado na papelaria do bairro, há uns anos, para ocupar o tempo livre, o que era raro. Agora que tinha tempo para jogar, as cartas não queriam colaborar... Não podia ser!

A falta de paciência do jogo das paciências (2)


Mais calmo, o homem voltou a sentar-se em frente às cartas. Hesitante, decidiu continuar o jogo das paciências. Mas, pelo sim pelo não, ignorou a primeira pilha e virou a carta no topo da segunda.
- Quem foi que teve a ousadia de me incomodar? - gritou uma voz feminina em tom autoritário - Cortem-lhe a cabeça, já!
Desta vez, o homem ia tendo um colapso. Quem falara fora a rainha de copas, que ele tinha acabado de virar. Afinal, era verdade. As cartas estavam vivas. E falavam...

A falta de paciência do jogo das paciências (1)



Estava um homem confinado no seu domicílio, por razões que não interessam para agora. Sentindo-se aborrecido por não ter nada para fazer, pegou num baralho de cartas e pôs-se a organizar um jogo de paciências.
Começou por baralhar bem as cartas e colocou-as em várias pilhas sobre a mesa, com a face virada para baixo. Depois, preparou-se para virar a primeira carta de cada pilha, de forma a organizar sequências de cada naipe.
Assim que virou a primeira carta, foi surpreendido por uma voz irritada, que lhe disse:
- Deixa-me em paz, que hoje não estou para brincadeiras!

segunda-feira, 23 de março de 2020

O troll que não quis ficar em casa


No país dos contos de fadas, andava tudo em alvoroço. A bruxa Canhestra, desastrada por natureza, tinha-se enganado numa das suas poções mágicas e mandara a cabana pelos ares. Sobre todo o território, pairava uma névoa esverdeada e pestilenta, que provocava reacções esquisitas em quem a inalava. A começar pela própria bruxa Canhestra, que ficou transformada numa galinha saltitona e passou o resto dos seus dias a saltar à corda e a pôr ovos de borracha.
O centauro Serafim, carteiro de profissão, que ia a passar naquele momento, ganhou um apetite voraz por papel e comeu as cartas todas que tinha para distribuir. A seguir, invadiu a biblioteca e começou a devorar enciclopédias mágicas e romances de encantar. Tiveram de correr com ele à vassourada, senão não tinha restado qualquer livro nas estantes, o que seria uma tragédia.
A Ratinha Vaidosa, que vinha a chegar das compras à sua casa-cogumelo, desatou a cantar ópera em altos berros, com a sua vozinha desafinada. O que fez com que os vizinhos, ensurdecidos pela cantoria, a tivessem de amordaçar violentamente.

sexta-feira, 20 de março de 2020

O monstro minúsculo que queria ser rei


Versão ebook disponível no ISSUU

Num lugar muito longe daqui, havia um monstro minúsculo, tão pequeno, tão pequeno que ninguém conseguia vê-lo à vista desarmada. No entanto, tinha muito mau feitio e uma enorme ambição: tornar-se num gigante e ser rei absoluto. Como tinha nascido com uma coroa na cabeça, achava que tinha direito a dominar todo o planeta.
Um dia, foi consultar uma bruxa malvada muito poderosa e disse-lhe:
- Ouve lá, ó bruxa maléfica, estou decidido a tornar-me num gigante e a ser o rei absoluto deste planeta. Se me ajudares a consegui-lo, recompensar-te-ei e nomear-te-ei minha Primeira Conselheira.
A princípio, a bruxa achou que aquele monstro minúsculo não devia estar bom da cabeça. Ainda por cima, manifestava uma irritante falta de respeito. Chegou mesmo a pensar lançar-lhe um feitiço que o transformaria num sapo ou, como era tão pequeno, num grão de pó. Mas depois reconsiderou, pensando que aquilo até podia ser divertido e respondeu:
- Combinado! Se fizeres tudo o que eu disser, ajudo-te a conseguir o que pretendes.
Virou costas e foi para junto do seu caldeirão, criar um feitiço especial.

segunda-feira, 16 de março de 2020

O caçador azarado


Um homem abriu o frigorífico e deu-se conta de que não tinha nada para comer. Pegou então na espingarda e foi tentar caçar alguma coisa para o jantar.
Depois de muito farejar, deu com um rebanho de pizzas a pastar numa clareira. Aproximou-se cautelosamente, mas as pizzas deram por ele e fugiram espavoridas, sem que o homem tivesse sequer tempo de apontar a arma.
Mais à frente, vislumbrou uma gorda e indolente lasanha pendurada numa árvore. Mirou à cabeça da bicha e disparou, certo de que esta não escaparia. No entanto, a lasanha encolheu-se e a bala rasou-lhe as orelhas, sem lhe causar qualquer dano. Enquanto o homem recarregava a arma, a lasanha, embora lenta, escapuliu-se.
Já um pouco impaciente, o homem vasculhou o mato, em busca de caça, até que viu uns pastéis de bacalhau à entrada das tocas. Assim que se aproximou, os pastéis recolheram-se, num abrir e fechar de olhos.
Mais à frente, ouviu o grasnar longínquo de umas chamuças, que passaram a voar demasiado alto e o homem não arriscou desperdiçar mais uma bala.
Desanimado, o homem voltou para casa de mãos a abanar. E ao jantar, não teve outro remédio senão comer a espingarda, que era de massapão.

quarta-feira, 11 de março de 2020

As perguntas fugitivas

Um conhecido jornalista decidiu cozinhar umas perguntas para o jantar. Acendeu o lume, espalhou umas pedras de sal sobre as questões e colocou-as na grelha, muito bem alinhadas.
No entanto, as ditas-cujas eram incómodas e não paravam quietas. Passado um pouco, quando o calor das brasas se tornou insuportável, saltaram do grelhador e fugiram dali a gritar.
O conhecido jornalista teve então de se contentar com uma açorda de «fèdiveres» da semana anterior. Quem o mandou a ele querer alambazar-se com perguntas incómodas ao jantar?

O espirro traquinas


Andava um espirro a jogar à macaca sozinho numa rua da cidade, quando se viu rodeado por uma turba de moradores, que barafustava com ar ameaçador:
- O que andas aqui a fazer, malvado?
- Raspa-te, que não te queremos aqui.
- Vai lá para a tua terra.
- Pensas que te deixamos vir para a nossa rua lançar o pânico e a doença? Estás muito mal ensaiado...
O espirro bem tentou argumentar, mas em vão:
- Mas eu só quero jogar à macaca...
- À macaca? Não desconverses. Onde há um espirro, há uma tosse e onde há uma tosse há uma febre. Espirros, tosses e febres são exactamente o tipo de coisas que não queremos por cá.
Quando o espirro tentou contra-argumentar, os outros atiraram-se a ele, gritando:
- Anda cá, espirro maldito, que já te damos o arroz.
E tentaram caçá-lo com umas redes de apanhar borboletas que traziam nas mãos.
No entanto, o espirro era mais rápido e escapava-se sempre.
A coisa até era divertida, pensava o espirro. Primeiro, não o deixavam jogar à macaca, mas agora estavam todos a jogar à apanhada com ele. E ele estava a ganhar!
De repente, o espirro sentiu uma enorme comichão dentro do nariz, disse «Atchim!» e desapareceu no ar.
Os moradores deram vivas inflamados e foram a correr para casa lavar as mãos e a goela com uma solução alcoólica, durante um minuto e vinte segundos. Mas de nada lhes valeu...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Cromatose


Fazia associações cromáticas com tudo o que o rodeava. Começou na escola: as cinco vogais, eram, respectivamente, branco, verde, azul, castanho e preto. As notas musicais coincidiam com as sete cores do arco-íris...
Em adulto, tudo tinha uma cor intrínseca, independentemente da sua cor real. Por exemplo, um furacão era violeta, o trabalho, castanho, a desilusão, amarelo, a felicidade, azul...
O amor, curiosamente, era a única coisa que, para si, não tinha uma só cor... mas todas.

Desafio 197 do blogue 77palavras.blogspot.pt.
Emparelhar as primeiras quatro palavras com as quatro seguintes: furacão, trabalho, desilusão, felicidade / violeta, amarelo, azul, castanho

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Pastelaria




Saiu da pastelaria em passo bamboleante e sensual. Era alta, loura, com cintura fina e ancas largas. O curto vestido revelava umas pernas bem torneadas. O decote largo oferecia uma magnífica visão do peito generoso. Olhou-me com ar de desafio. Vinha a mordiscar o meu bolo favorito, uma "duchesse" coroada de doce creme branco.
Senti um aperto no estômago e uma vontade louca de a comer. Então, cheguei-me a ela, roubei-lhe o bolo e fugi a correr.

sábado, 28 de julho de 2018

Eclipse



Estavam ambos dentro do carro, no alto do monte, à espera do eclipse da lua.
Apenas o ruído abafado da discussão perturbava o silêncio:
- É de queijo.
- Não. É de chourição.
- Já disse: é de queijo!
- Estás enganada. É de chourição.
- Queijo!
- Chourição!
- Queres apostar?
- Por mim, está bem.
- A quê?
- Quem acertar fica com ela.
- Aceito.
Afinal, era de presunto.
Dividiram a sandes a meio e saborearam-na calmamente.
Quanto à lua, nada feito. Havia demasiadas nuvens.

domingo, 11 de março de 2018

Namoro frustrado



O rapaz apressou o burro com os calcanhares. A tarde ia avançada. Não tarda, seria noite. De repente, lembrou-se. As flores tinham ficado em cima da mesa da sala. E agora, com que cara se apresentaria à rapariga?
Viu uma roseira no quintal de uns vizinhos. Desmontou e tentou colher uma rosa. No lusco-fusco, sem uma faca, era difícil. Acendeu o isqueiro. Ao ladrar dos cães, mal teve tempo de montar de novo e partir à desfilada.

Desafio 137 do blogue 77palavras.blogspot.pt.
Palavras obrigatórias: burro, rosa, isqueiro.

domingo, 4 de março de 2018

O namoro dos melros

Desenho a caneta de tinta permanente de Carlos Alberto Silva.

O casal de melros veio namorar para o meu quintal.
Enquanto ela, com o seu vestido pardo, saltita pelo chão, impaciente e desconfiada, ele empoleira-se num ramo da laranjeira, exibindo o seu negro e lustroso fraque.
Ela crocita, na sua voz fraca:
- Despachemo-nos. O ninho arrefece e a chuva não tarda.
E ele responde, assobiando uma bela melodia:

Assim sejas tu, minha amada,
fértil como a chuva.
Que no teu ventre germine
a breve semente da eternidade.

(História em 77 palavras, sem tema. Homenagem aos 7 anos do blogue 77palavras.blogspot.pt e à Margarida Fonseca Santos.)

sábado, 10 de fevereiro de 2018

A ladra do carrapito


Veio tudo à janela ao soar do apito.
Dois polícias perseguiam a ladra do carrapito.
Desta vez, não escapava.
Tinha sido apanhada em flagrante delito.
Enquanto o agente a algemava
de modo mui expedito
debatia-se e gritava:
- Larga-me, maldito!
Presente ao juiz, foi interrogada:
- Foi então a senhora que roubou o teodolito?
Mas ela ficou calada,
de olhos postos no chão.
Reunidas as provas, fez-se ouvir o veredito:
- Durante a próxima temporada,
medirá os azimutes da prisão.

(Desafio 135 do blogue «Histórias em 77 palavras»)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Raspanete galáctico


Calados e quietos! Meninos, ganhem juízo! Tu, Quim, não provoques o Donald! E tu, Donald, não te metas com o Quim. Deixem-se de parvoíces, que estão a incomodar a vizinhança.
Se não ganham juízo, ponho um a cada canto. Mais: se for preciso, meto-vos, cada um, em cantos opostos do mundo.
Espera lá! Vocês já estão em cantos opostos do mundo e, mesmo assim, não param de se azucrinar e de azucrinar a vizinhança.
Acho que vou ter de vos enfiar numa nave espacial e mandar-vos para a lua. Tiro de lá o homem com o molho de silvas e ponho-vos no lugar dele.
Não, para a lua, não. É mesmo ali ao lado e vocês desarrumavam aquilo tudo num instante. Para além de incomodar a vizinhança de dia, passavam a incomodá-la também de noite, na lua cheia, na lua nova, no quarto minguante e no crescente. Safa!
Acho que o foguetão terá de ir um bocado mais longe. Sei lá, para além dos limites do sistema solar. E aí, sim, podem fazer as vossas coboiadas à vontade, que os vizinhos já não se vêm cá queixar. E podem levar os vossos minúsculos penduricalhos (e umas lupas), para se divertirem a comparar quem o tem maior.
Com um pouco de sorte, numa bela tarde de Verão, a vizinhança ouvirá um traquezinho ligeiro vindo das profundezas do universo. Que é quando vocês, finalmente, rebentam um com o outro e esta história acaba de vez. Irra!

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ordenamento

A julgar pelo que se ouve por aí, para além do tal ordenamento florestal, o país precisa também de algum «ordenamento mental».

Chiu! (2)

- Olha lá, também vais à manifestação?
- Chiu!
- Já me calei.

Chiu!

Pensou ir à «manifestação silenciosa»,
mas quando andava com gases
era pior que uma buzina de camião.

Censura

A saCristas conjugando argumentos
para a moção de censura:
- Eu calipto, tu caliptas, ele calipta...

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Demissão

- Demitam a ministra! - berrava o bode "espiatório" -. Aplaquemos os deuses com um sacrifício político. O resto, é deixar arder...

sábado, 14 de outubro de 2017

Sexta 13

Ontem foi sexta 13 e não dei por nenhuma bruxa a circular de vassoura. Já de carro...

Pedro e o... Diabo

Pedro profetizava a vinda do Demo, mas a este não lhe apetecia vir.
Farto de ser invocado em vão, o Diabo carregou com Pedro.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Pão pão

- Quero um pão, se faz favor.
- Quer um destes? Ou um destes? Ou destes... Temos 37 variedades.
- Não, só quero um pão.

Ó Nesco!

- Alô? É só pa dezer que me derrisquem dessa coisa da ónesco, ó lá uquié. Sisso num presta pós camones, tamém num quero. Óbrigadinho.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Terrorismo intestinal

Comprou repolho, feijão, cebolas e ovos.
Preparava-se para um atentado com gás letal
depois do jantar.

Pesadelo


Eu ia sozinho pela estrada, a ver o estrago provocado por aquele fenómeno estranho. Tudo começara com um estrépito no céu estrelado. O dano era estremo. Um turbilhão estrídulo deixara o mato estrinçado, as aves estripadas, as árvores estroncadas, os bichos estropiados. Que fora aquilo?
Até que o vi. Um grifo, rindo cavernosamente como riem todas as bestas mitológicas.
Apavorado, gritei:
- Vai-te! És um estronço sem estrutura, um verdadeiro estrupício cheirando a estrume.
E a seguir acordei.