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| Desenho a caneta de tinta permanente de Carlos Alberto Silva. |
O casal de melros veio namorar para o meu quintal.
Enquanto ela, com o seu vestido pardo, saltita pelo chão, impaciente
e desconfiada, ele empoleira-se num ramo da laranjeira, exibindo o seu negro e
lustroso fraque.
Ela crocita, na sua voz fraca:
- Despachemo-nos. O ninho arrefece e a chuva não tarda.
E ele responde, assobiando uma bela melodia:
Assim sejas tu, minha amada,
fértil como a chuva.
Que no
teu ventre germine
a breve semente da eternidade.
(História em 77 palavras, sem tema. Homenagem aos 7 anos do blogue 77palavras.blogspot.pt e à Margarida Fonseca Santos.)





